Estacionamos na Praia da Vila. As ondas quebravam com uma fúria sagrada; estilhaços de heavy metal aquático espancando a costa. Ali, de joelhos na areia, vendo os surfistas flutuarem na espuma como santos modernos, gostava da mecânica daquele mistério. O mar vencendo sem violência. É silencioso em sua essência, mas contesta as perguntas e vem aos que O chamam. Ele — em pura tranquilidade — controla tudo, escolhendo as pessoas para Ele mesmo.
De repente, a água congelante da primeira marola me rasou os tornozelos. O vento da Praia da Vila veio junto, cortando o rosto com o cheiro acre de sal e iodo. Enterrei as mãos na areia grossa, sentindo os grãos sob as unhas enquanto o mar recuava, puxando o chão debaixo de mim. Era a pista de que o tempo ali havia esgotado; hora de seguir.
Charro Sendero
Nenhum comentário:
Postar um comentário