O gaúcho entrou na história
montado num cavalo alheio.
A revolução era dos homens,
mas o couro ficou para o campeiro.
Tinha carioca no comando,
mineiro fazendo discurso,
italiano puxando o gatilho,
uruguaio cuidando do percurso.
Até gringo tinha na guerra.
Só não tinha lugar
para o gaúcho.
Esse, coitado,
era gaúcho demais
para sentar à mesa.
Depois vieram os retratos,
as bombachas, os feriados,
o orgulho emoldurado
e a história passada a limpo
com tinta de churrasco.
Inventaram uma guerra
de gaúchos contra brasileiros.
Curioso:
os brasileiros eram tantos
que até os gaúchos
precisaram ser importados.
Hoje, na tribuna,
um sujeito cospe ódio
contra quem veio de longe.
Defende uma revolução
cujos chefes vieram de longe.
A história tem dessas coisas:
às vezes o sujeito
cospe no próprio retrato
sem perceber
que está cuspindo no espelho.
E o gaúcho?
Continua lá fora,
na chuva,
cuidando do cavalo
de quem escreveu a história.
Charro Sendero
sexta-feira, 30 de outubro de 2026
terça-feira, 27 de outubro de 2026
Charro Sendero
...Quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a ideia e o sentir da gente."
Riobaldo Tatarana
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