sexta-feira, 30 de outubro de 2026

O gaúcho que não era

O gaúcho entrou na história
montado num cavalo alheio.

A revolução era dos homens,
mas o couro ficou para o campeiro.

Tinha carioca no comando,
mineiro fazendo discurso,
italiano puxando o gatilho,
uruguaio cuidando do percurso.

Até gringo tinha na guerra.
Só não tinha lugar
para o gaúcho.

Esse, coitado,
era gaúcho demais
para sentar à mesa.

Depois vieram os retratos,
as bombachas, os feriados,
o orgulho emoldurado
e a história passada a limpo
com tinta de churrasco.

Inventaram uma guerra
de gaúchos contra brasileiros.

Curioso:
os brasileiros eram tantos
que até os gaúchos
precisaram ser importados.

Hoje, na tribuna,
um sujeito cospe ódio
contra quem veio de longe.

Defende uma revolução
cujos chefes vieram de longe.

A história tem dessas coisas:
às vezes o sujeito
cospe no próprio retrato
sem perceber
que está cuspindo no espelho.

E o gaúcho?

Continua lá fora,
na chuva,
cuidando do cavalo
de quem escreveu a história.

Charro Sendero

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Charro Sendero


 


...Quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a ideia e o sentir da gente." 
Riobaldo Tatarana

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