domingo, 13 de setembro de 2026

Praia Seca



Ficou para trás o sal, a fuligem dos domingos,
O raio de metal que cortava as águas mansas.
Ficou o amigo que cantava e inventava versos.
E o outro que guiava o ferro contra o vento.

Eu me despeço aqui, debruçado sobre o mapa,
Da terra que me deu seus olhos de lagoa.
Sei que nenhuma estrada inventará o retorno,
que a juventude é um pássaro de cinza.

Dói este adeus como dói o primeiro grito do parto,
Como pesa o silêncio quando a carne se apaga.
Deixo meu nome inscrito nas salinas da Praia Seca,
E levo comigo o exílio, a noite e a distância.

Charro Sendero

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