sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Tormenta

Foi por sede que te encontrei.

Sede do torpor que me faltava,
da vertigem que garrafa nenhuma conhecia.
E segui sedento,
bebendo o silêncio líquido dos teus lábios,
derramando-me na tua lembrança,
faminto dos teus sabores.

Havia em ti o prenúncio da tempestade.

Quente e úmida como os ares
que se concentram antes do ciclone,
girando em fúria em torno de um nome
que eu não ousava falar.

E eu, de tantas noites,
naufragava no teu corpo de enraivecido branco.
Buscava abrigo na borda do abismo,
sabendo que certas forças
não foram feitas para se evitar.

Então vinham os devaneios,
rápidos, febris,
arrancando as velhas certezas do chão,
levando tudo por onde passavam.

E eu deixava.

Porque há bocas que não apenas beijam
E havia a tua, com sua gravidade perigosa,
onde a minha descobriu
que algumas bebidas não matam a sede.
Apenas nos condenam a beber
outra vez.
Charro Sendero

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