quinta-feira, 20 de agosto de 2026

O REENCONTRO COM BENJAMIN CONSTANT


"Todo sentimento precisa de um passado para existir...
O amor não, ele cria como por encanto um passado que nos cerca
Ele nos dá a consciência de havermos vivido anos a fio
Com alguém que há pouco era quase um estranho
Ele supre a falta de lembranças por uma espécie de mágica..."
 Bom ler isso, Benjamin Constant!
Lá fora a Lua está crescente, o meu cigarro incandescente, vou beber sobre a natureza atemporal, transformadora do amor, como você,  desafia a lógica cronológica dos nossos sentimentos. Enquanto a maioria dos afetos humanos (como a mágoa, a saudade ou a confiança) precisa de tempo... Tempo precisa convivência e histórico para se consolidar, o amor não. Tem capacidade única de subverter o tempo.
Aqui estão os principais pontos para entender sua dinâmica "mágica" descrita: a ilusão da intemporalidade: Quando o amor verdadeiro acontece, ele preenche os espaços vazios de forma tão intensa que a alma experimenta uma sensação de familiaridade imediata. Alguém deixa de ser um estranho e passa a parecer alguém que sempre esteve ali. O amor não precisa de memórias reais para se sustentar; ele projeta uma sensação de pertencimento tão profunda que supre a falta de lembranças. É a sensação do reencontro em vez de apenas do "reconhecimento". Como a mágoa precisa de uma ofensa passada; o respeito precisa de ações passadas. O amor, por outro lado, é um sentimento de presente absoluto. Dane-se aquele fenômeno poético em que a intensidade substitui a duração, provando que, no território do afeto, a profundidade do que se sente importa muito mais do que o tempo do relógio.

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